Apesar de integrar a zona livre das pestes suínas clássica e africana, a Bahia intensifica a vigilância contra os vírus das doenças no porto e no aeroporto internacional de Salvador. A medida faz parte de uma força-tarefa do Ministério da Agricultura, que ampliou o sistema de defesa animal no país. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV/BA) apoia as ações. Estado próximo, o Ceará registrou quatro focos da peste suína clássica desde agosto.

O rebanho suíno baiano tem mais de  1 milhão de animais, segundo dados da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri). Médicos-veterinários que atuam no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)  e  na Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) fazem o mapeamento de áreas baianas, a fim de impedir que animais consumam sobras de alimentos eventualmente contaminados.     

“A Bahia segue as orientações do Ministério da Agricultura para prevenir a peste suína e faz o cadastramento de todos os lixões e aterros sanitários”, explica Márcia Heloíza Cunha, chefe do Serviço de Saúde Animal da Superintendência Federal de Agricultura em Salvador (SFA). “Constatada alguma contaminação, a primeira providência é neutralizar o foco e fazer isolamento sanitário de até 10 km para eliminar a cadeia de transmissão”, resume.

Dos 417 municípios baianos, 194 declararam dispor os resíduos em lixão, 47 em aterro controlado e 41 em 19 Aterros Sanitários, usados por duas ou mais cidades. “A preocupação é que algum criador desavisado solte os porcos ou outros animais para se alimentar nesses locais. Se, eventualmente, no ambiente tiver algum vírus o animal poderia se contaminar”, avalia o médico-veterinário  da Adab Sérgio Vidigal, coordenador do Programa Estadual de Sanidade Suídea – braço baiano do Programa Nacional de Sanidade dos Suídeos.

A peste suína não ataca os seres humanos, mas pode eliminar rapidamente rebanhos suínos. O vírus é mortal, altamente contagioso e não tem vacina ou tratamento. No Brasil, o tipo africano do vírus foi erradicado em 1984. Em relação ao tipo clássico, 14 zonas foram reconhecidas como livres, entre elas, a Bahia, em 2001.

 Lixo recolhido no mar

O chefe do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Porto de Salvador, Carlos Freire, diz que uma das medidas de controle é o recolhimento de resíduos ainda no mar. “Antes, o lixo das embarcações internacionais descia no porto, era recolhido e levado para descarte. Hoje, o material não entra na cidade, sendo recolhido por uma balsa e levado para o aterro sanitário”, detalha.

A auditora fiscal do Vigiagro, Luciana Maciel, reforça que a Bahia segue sem sinal de alerta e as medidas são preventivas. “Não registramos nenhum episódio. Quase não passam animais vivos no porto. O movimento maior é de mercadorias que chegam inspecionadas de frigoríficos e indústrias, o que pode diminuir os riscos, mas não a vigilância”, completa.

Sanidade no ar

As companhias aéreas com voos internacionais para a capital baiana foram informadas sobre a intensificação das fiscalizações no desembarque. Segundo o chefe da Vigilância Agropecuária Internacional, Augusto Mesquita, as operadoras devem orientar os turistas do exterior para que não tragam  carne suína e derivados.

Fiscal Federal Agropecuário Augusto Mesquita
 -esquerda-  mostrando produtos 
apreendidos e lacrados (Foto álbum pessoal)

 

“Além das companhias aéreas, a empresa francesa Vinci Airports, que administra o aeroporto, também se uniu aos esforços de vigilância apoiando a decisão de destinar para autoclavagem (processo de esterilização) todo o lixo de bordo de aeronaves internacionais”, ressalta.

A Receita Federal está encarregada de escanear as bagagens. “A Vigiagro não tem prerrogativa para abrir malas. Por isso, fiscais da Receita vão atuar para aumentar o rigor da vigilância”, assegura Mesquita.

 

Ascom CRMV/BA, 23 de outubro de 2018 (com revisão de Lucas Figueredo)

 

 

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