Formador de gerações e gerações de médicos-veterinários na Bahia, o professor José Augusto Gaspar de  Gouvêa, popularmente conhecido como ‘Tio Juca’, marcou a vida pessoal e profissional de muitos “sobrinhos”, como ele chamava seus alunos.

Dono de personalidade cativante, um dos fundadores do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia, faz amigos por onde passa exibindo positividade e amor pela vida, a despeito dos problemas de saúde, como a artrite reumatoide, que é portador há mais de vinte anos.

Devido ao tratamento para a artrite reumatoide, surgiram outros problemas, causados por efeitos colaterais dos medicamentos, deixando o professor com fibrose pulmonar e grave leuconeutropenia progressiva.

A seriedade da situação levou ao internamento hospitalar durante um mês. Recentemente ele precisou ficar parte de agosto e setembro no Hospital Português.  Muito ativo antes do agravamento do estado de saúde, estava com frequência na sede do Conselho e sempre visitava aos amigos mais próximos.

Aos 87 anos, além de ter perdido muito peso, Tio Juca enfrenta uma batalha para respirar e depende de fornecimento de oxigênio. Demandando cuidadores com expertise, fisioterapeutas (fisioterapia motora e respiratória), psicólogos, médicos, nutricionista, enfermeiros e fonoaudiólogos e de uma série de medicamentos, a família necessita de cerca de R$ 15.000 ao mês para o tratamento, tendo até mesmo ingressado com  pedido judicial contra o plano de saúde na  justiça Estadual.

Para manter os cuidados, enquanto aguardam a decisão judicial, as filhas tomaram iniciativa de alertar  amigos e ex-alunos sobre a situação do pai. Para saber mais leia aqui.

Escondia os cadernos

Apesar do bom humor, o professor não esconde a mágoa de ter sido obrigado a se aposentar compulsoriamente do magistério superior. Em suas conversas sobre o tema, Tio Juca sempre deixou claro o quanto podia estar contribuindo com a Universidade Federal da Bahia.

Ele  narra com gosto as lembranças do tempo que ensinava sobre as tecnologias de carne e que as aulas práticas geralmente terminavam em churrasco que ele amava servir aos alunos.

Mas não é apenas ele que conta histórias do tempo da Escola de Medicina Veterinária (antes de ter o curso de Zootecnia).  Alunos seus relatam, que para dar susto, na época de provas, ele sumia com os cadernos dos estudantes e dizia que eles deviam ter prestado atenção em sala de aula.

Eles deixam claro que mesmo com tanta brincadeira e leveza de parte do professor, o respeito e admiração  pela solidez do conhecimento acadêmico estão presentes em suas memórias.

 

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