26 de julho de 2017

Por Roberta Machado

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a inclusão da etorfina e da carfentanila, dois opióides potentes usados como hipnoanalgésicos em megavertebrados, à lista de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial no país. Atualmente, não há no Brasil nenhuma substância de uso autorizado capaz de sedar ou provocar analgesia em espécies de grande porte, como hipopótamos ou elefantes.

Embora o registro de medicamentos de uso veterinário no Brasil seja de competência do Mapa, a etorfina e a carfentanila pertencem à categoria dos entorpecentes cujo uso é controlado no país pela Anvisa. O ofício destinado à Gerência de Produtos Controlados (GPCON) da agência pede a adequação da Portaria SVS/MS nº 344/1998, que trata do Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial e lista as substâncias entorpecentes, psicotrópicas e de outras categorias englobadas pela norma.

Os dois opióides são considerados essenciais para atividades de conservação que lidam com grandes espécies, como em zoológicos, e já são amplamente usados por profissionais em países como os Estados Unidos, o Japão e diversas nações da Europa.

A ausência desses opióides no país, ressalta Silvana Gorniak, representante do CFMV na Comissão Intersetorial de Vigilância Sanitária e Farmacoepidemiologia do Conselho Nacional de Saúde (CNS), inviabiliza diversos procedimentos veterinários em zoológicos, onde há animais que superam a marca de uma tonelada. “Tem coisas que não dá para quebrar galho. Não é viável usar outro medicamento. Seria necessária uma quantidade inviável, e que prejudicaria o animal. Também não é possível garantir uma segurança adequada para o profissional que lida com esses animais enormes”, avalia a médica veterinária.

As substâncias são empregadas em cirurgias abdominais, biópsias e também em procedimentos considerados rotineiros, como remoção de dentes, curativos e até mesmo radiografias. A sedação dos animais também é necessária na captura dos animais de grande porte, para que não haja traumas físicos causados por tentativas de fuga, como contusões, fraturas ou lacerações.

 

Vantagens

Como têm uma potência considerável, a etorfina e a carfentanila podem ser usadas em volumes pequenos, e representam e uma maior margem de segurança tanto para o animal sedado quanto para a equipe de profissionais envolvida no procedimento. Outro benefício das substâncias na clínica veterinária de animais selvagens é a possibilidade de se administrar esses analgésicos a distâncias relativamente longas, facilitando o processo de contenção do animal.

A extensão da ação da etorfina e da carfentanila, aponta Silvana, seria o suficiente para atender à ampla diversidade de espécies atendidas pelo médico veterinário de animais selvagens no país. “Em alguns casos a etorfina seria mais adequada, por questões das características farmacodinâmicas do medicamento. Seria importante se liberassem o uso dos dois medicamentos e também de seus antagonistas, para a reversão da analgesia nos animais”, ressalta Gorniak.

 

As substâncias

A etorfina foi desenvolvida no início da década de 1960, e foi o primeiro agonista opióide potente empregado para o uso em espécies não domésticas e animais selvagens. Até então, procedimentos médicos-cirúrgicos eram realizados mediante o uso de substâncias e técnicas que permitiam apenas a contenção física, e não a analgesia do animal.

A carfentanila seria adotada pelo mercado de zoológicos cerca de uma década depois, representando um avanço ainda maior para a Medicina Veterinária. Enquanto a etorfina promove uma ação cerca de 4 mil vezes mais potente do que a morfina, a carfentanila tem uma potência até 10 mil vezes maior, se comparada ao mesmo opióide. A substância também apresenta outras vantagens, como um tempo de indução e recuperação mais curtos.

 

Assessoria de Comunicação do CFMV

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.