*Nadia Rossi de Almeida e Monica Mattos dos Santos

A esporotricose é uma zoonose emergente causada por espécies do fungo Sporothrix. O felino doméstico é a espécie mais acometida e a forma clínica mais comumente observada é a cutânea disseminada, com a presença de lesões mais frequentes em cabeça (principalmente no nariz e orelhas) e membros. Em humanos, as lesões possuem caráter ulcerado com exsudato serosanguinolento que podem se restringir ao local de inoculação ou evoluir para uma linfangite ascendente, formando nódulos ao longo dos vasos linfáticos.

É notório o papel do gato como a principal fonte de infecção humana devido ao hábito de afiar as unhas em cascas de árvores bem como de enterrar suas excretas, atrelada à elevada carga microbiana encontrada em suas lesões. Como a via majoritária de transmissão envolve traumatismos, os gatos machos, não castrados errantes ou semi-domiciliados são os mais predispostos à infecção pois transmitem o fungo presente em suas lesões, unhas e/ou cavidade oral a outros animais por mordeduras e/ou arranhaduras durante brigas.

O diagnóstico da esporotricose inclui o clínico-epidemiológico e o laboratorial. A citologia é a prova rotineira de triagem e a cultura fúngica é a prova-ouro. Tanto a citologia, histopatologia, sorologia e as provas de biologia molecular são métodos complementares de diagnóstico.

Atualmente, o aumento da aquisição dos felinos como animais de companhia aliado as deficiências de políticas públicas para o controle e prevenção da esporotricose a tornaram uma doença negligenciada, evidenciando um cenário de epidemia e epizootia em alguns estados, como no Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Rio de Janeiro, que possui caráter hiperendêmico da doença.

Até o momento, pouco se sabe acerca da prevalência da esporotricose felina e humana na região nordeste. Em 2015, o município de Camaçari vivenciou um surto de esporotricose felina. Desde 2017, o Laboratório de Pesquisas Micológicas (LAPEMIC) do Hospital de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Bahia (HOSPMEV/UFBA) isolou o fungo Sporothrix spp de dezenas de amostras de gatos oriundos dos municípios de Camaçari, Dias D’Ávila e, mais recentemente, do município de Salvador, o que o tornou um laboratório de referência para o diagnóstico da esporotricose animal em Salvador e na região metropolitana.

A notificação tornou-se obrigatória para os casos suspeitos de esporotricose animal e humana em Salvador. A preocupação com a saúde pública está na possibilidade da esporotricose tornar-se hiperendêmica, como ocorreu no estado do Rio de Janeiro. Pressupõe-se que a doença seja ainda subdiagnosticada e subnotificada na Bahia. Sendo assim, a educação em saúde voltada aos tutores, alunos e profissionais da área da saúde é primordial para se traçar estratégias de controle e prevenção. Para isto, diversos eventos com este intuito estão sendo promovidos. O LAPEMIC promoverá “Um Bate-Papo sobre a esporotricose” voltado aos tutores e protetores de animais, no dia 26 de outubro de 2018 às 17h no auditório da Escola de Medicina Veterinária da UFBA. A entrada será gratuita. Mais informações pelo e-mail lapemic.ufba@gmail.com ou pelo telefone (071) 32836743.

*Professoras adjuntas da Escola de Medicina Veterinária da UFBA

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