Encontro internacional sobre preservação de jumentos é realizado na Bahia
Com o propósito de buscar soluções para o desenvolvimento de elos que equilibrem o bem-estar animal, a saúde pública, o desenvolvimento social, a conservação ambiental e a preservação dos jumentos no Brasil, está sendo realizada em Salvador a quarta edição do Workshop Internacional – Jumentos do Brasil: Futuro sustentável, na Assembleia Legislativa da Bahia.
Representado na mesa de honra pela secretária-geral Lívia Peralva, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV/BA), tem participado das reuniões sobre o tema, antes mesmo da primeira edição.
“O Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia, acompanha as discussões relacionadas a este tema há quase uma década, reconhecendo os impactos diretos que envolvem o bem-estar animal, a saúde pública, a sustentabilidade, a conservação ambiental e as questões sociais relacionadas aos jumentos no Brasil”, explicou Lívia Peralva
Ela ressaltou o papel dos profissionais de Medicina Veterinária e de Zootecnia com seu conhecimento científico:
“Nós, médicos-veterinários e zootecnistas, temos papel fundamental nesse processo, contribuindo por meio da ciência, da técnica e do compromisso com a proteção, preservação e respeito à vida animal”.
Aspectos sanitários e econômicos
Reunindo pesquisadores, cientistas, ambientalistas, Ministério Público, autoridades sanitárias e políticas, a abertura contou com uma palestra do médico-veterinário José Roberto Pinho, presidente da Comissão Estadual de Medicina Veterinária Legal do CRMV/BA, que focou nas questões sanitárias que cercam a exportação de produtos oriundos da exploração comercial dos jumentos.
“Na nossa apresentação no IV Workshop Internacional Jumentos do Brasil, destaquei uma lista de riscos à saúde de consumidores da carne e colágeno de jumentos abatidos na Bahia. Os principais riscos sanitários são as zoonoses, como mormo, leptospirose e toxoplasmose, bactérias multirresistente a antibióticos. No eixo dos riscos químicos, toxicológicos estão a presença potencial de micotoxinas e contaminações por metais pesados nos produtos exportados, já identificados no leite e carne de jumentos pesquisados na Ásia e África. Todavia o mais grave e urgente risco é o reputacional para o Brasil que é o maior produtor de proteína animal do mundo, atendendo os patrões sanitários mais exigentes, como os da União Europeia, e, ao mesmo tempo, exportou até 2500 toneladas de carne de asininos por ano, nos últimos 10 anos, sem qualquer informação sanitária, exames laboratoriais ou rastreabilidade dos animais abatidos, após serem capturados em estradas do Nordeste, aglomerados em Fazendas de Triagem na Bahia, para formação de lotes, e depois transportados para os frigoríficos, sendo a movimentação dos animais controlada, documentada apenas neste último trecho. O mais grave é que o Brasil está exportando, com atestado sanitário, carne de jumento que alimenta entre 15-20 milhões de pessoas por ano, e colágeno para cerca de 1 milhão de pessoas por ano, colocando em risco a saúde coletiva internacional”, detalhou José Roberto.
Idealizado pela professora Chiara Albano, da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o encontro atraiu acadêmicos da Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Paraná.
Iniciada no dia 06 (quarta-feira), esta edição vai ser encerrada no dia 08 de maio, com uma visita técnica à Fazenda Manuino, onde vivem animais resgatados após operação do Ministério Público do Estado da Bahia.
“Acredito que este evento possui grande importância por promover o diálogo, a construção coletiva e o desenvolvimento de soluções sustentáveis, sempre pautadas na ciência, na ética e na responsabilidade socioambiental”, concluiu Lívia Peralva.



A organização fornecerá certificado, porém as vagas são limitadas.