O doutor Rodrigo  Freitas Bittencourt  é um cientista que entende das pesquisas refinadas no laboratório.  Também é um professor que fica à vontade entre caprinos e ovinos no poeirento semiárido baiano em suas aulas de campo.

Desde 2014 ele leciona a disciplina MEVC 26, que é voltada para o “Melhoramento Genético e Banco de Germoplasma de Caprinos e Ovinos Nativos do Nordeste Brasileiro.“

 

 

As atividades são desenvolvidas, explica Dr. Rodrigo, em comunidades que enfrentam condições extremas, como em Jeremoabo e Canudos.  Recentemente, o trabalho desenvolvido foi no Assentamento Rural Vila Nova –  Várzea Nova, Bahia, localidade do semiárido da Chapada Diamantina, que sofre com a seca prolongada.

Durante duas semanas, os pequenos criadores de caprinos e ovinos tiveram acesso a diversas informações.  Algumas delas  podem parecer simples, porém são transformadoras para melhorias no sistema de produção, pois chegam a diminuir em 80% os casos de mortes dos cabritos e cordeiros recém-nascidos, como a amamentação do colostro nas primeiras 24h de vida e queima do umbigo.

Geralmente, as comunidades são visitadas duas vezes, na primeira etapa os produtores e suas famílias expõem as dificuldades e necessidades e ouvem palestras com enfoque nos manejos sanitário, nutricional e reprodutivo.

Uma das primeiras providências ao ter contato com o rebanho é conferir o estado de saúde, se tem verminoses, dentre outras enfermidades e o professor e equipe já  determinam os cuidados mais urgentes. Caso sejam verificadas condições adequadas seguem para a etapa seguinte:  a inseminação artificial visando o melhoramento genético.

A cada ano, aproximadamente 100 famílias são beneficiadas com o programa, sendo em média 50 famílias a cada etapa. E detalhe: as famílias recebem duas visitas: a primeira para implantar o programa e a segunda para verificar a consolidação das práticas ensinadas.

Choque de realidade

Os moradores do  Assentamento Rural de Vila Nova sofrem com a falta de chuva, com o baixo índice de renda e tem a presença de médico apenas uma vez a cada 15 dias.

Os alunos do professor Rodrigo voltam de experiências semelhantes com a certeza que aprenderam mais que o conteúdo acadêmico.  Eles notam que faltam banheiros adequados nas casas, que às vezes as crianças não tem acesso a educação devido a distância da escola mais próxima, ou que a renda é tão mínima que não sobra dinheiro  nem mesmo  para colocar uma porta nos quartos das pequenas casas.

Como mostra nas fotos, a comunidade participa de perto de tudo que é feito. Uma das senhoras do lugar, ao ver os graduandos fazerem uma ultrassonografia para a inseminação comentou que ela mesma ainda não teve acesso a este tipo de exame, expondo os desafios de viver com tão pouco acesso aos serviços de saúde.

Além dos adultos, as crianças  também recebem atenção:  elas ganham brinquedos e  aprendem novas brincadeiras. Uma das crianças falou que era a primeira vez que tinha acesso a um computador,  ao brincar com os joguinhos que Dr. Rodrigo instalou para eles.

Os produtores tem tanta consciência da importância da visita da UFBA ao local que sempre recebem a equipe com o melhor que podem.  O professor relata que foram recebidos desta vez com um almoço para o qual os produtores até mataram um carneiro para servir ao grupo. Galinhadas, ensopados… cada visita tem  um cardápio típico da localidade, com toda a simplicidade e calor humano peculiares destas comunidades rurais. Alunos e professores passam bem, relata o professor!

Sem parar, a próxima comunidade a ser visitada já está sendo prospectada e pode ser no município de Wagner, localizado na chapada diamantina.

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Fotos: Equipe do Prof. Rodrigo Bittencourt.

Ascom CRMV/BA- dezembro 2017

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